A culpa de tomar medicamentos para perda de peso afeta a maioria dos pacientes em tratamento com GLP-1. Essa vergonha, alimentada por discursos moralizantes sobre a obesidade, é um grande obstáculo ao bem-estar e à adesão ao tratamento. É hora de desconstruí-la.
Por que a Culpa é Tão Comum
Uma pesquisa de 2024 da World Obesity Federation revela que 65% dos pacientes em tratamento com agonistas de GLP-1 sentem culpa ou vergonha relacionadas ao seu tratamento. Essa emoção provém de uma visão moralizante da obesidade profundamente enraizada na sociedade: a ideia de que o peso é uma questão de força de vontade e que recorrer a um medicamento é uma ‘admissão de fraqueza’.
A mídia e as redes sociais alimentam essa culpa com narrativas de celebridades usando semaglutida ou tirzepatida como um ‘atalho’, obscurecendo a realidade médica. A obesidade é uma doença crônica multifatorial reconhecida pela OMS, envolvendo mecanismos hormonais, genéticos, epigenéticos e ambientais que a força de vontade sozinha não pode corrigir.
A Obesidade é uma Doença, Não uma Escolha
Mais de 100 genes estão envolvidos na regulação do peso corporal. Os hormônios da saciedade (leptina, GLP-1, GIP, PYY) são disfuncionais em pessoas com obesidade, criando uma fome biológica impossível de ignorar pela simples força de vontade. O ponto de ajuste ponderal (peso que o corpo defende) é 70% determinado pela genética (Science, 2022).
A tirzepatida não faz ‘emagrecer facilmente’: ela corrige uma disfunção hormonal, assim como a insulina corrige o diabetes ou a tiroxina corrige o hipotireoidismo. Nenhum paciente diabético se sente culpado por tomar insulina. A mesma lógica se aplica aos tratamentos da obesidade.
Fontes de Julgamento e Como Lidar com Elas
- O círculo social: ‘você poderia emagrecer sem medicamentos se tivesse força de vontade’. Resposta: ‘a obesidade é uma doença crônica e meu tratamento é prescrito por um médico, como para qualquer outra doença.’
- As redes sociais: comentários depreciativos sobre usuários de GLP-1. Solução: limite a exposição e siga contas de profissionais de saúde.
- Você mesmo(a): a voz interior que diz ‘você deveria conseguir sozinho(a)’. Lembrete: 95% das dietas falham a longo prazo sem acompanhamento médico (Lancet, 2023).
- Profissionais de saúde: alguns médicos ainda têm preconceitos relacionados ao peso. Não hesite em mudar de profissional se você se sentir julgado(a).
Reenquadrando a Narrativa Interior
- Substitua ‘sou fraco(a) por tomar um medicamento’ por ‘sou corajoso(a) por cuidar da minha saúde’.
- Substitua ‘estou trapaceando’ por ‘estou usando uma ferramenta médica validada pela ciência’.
- Substitua ‘não é natural’ por ‘nenhum medicamento é natural, e é por isso que eles funcionam’.
- Substitua ‘os outros vão me julgar’ por ‘aqueles que me julgam não conhecem a biologia da obesidade’.
- Anote suas vitórias diárias: cada dia em tratamento é um ato de autocuidado.
A Importância do Apoio de Pares
Os grupos de apoio (online ou presenciais) para pacientes em tratamento com GLP-1 são espaços preciosos para normalizar o tratamento e compartilhar experiências. A comunidade MounjaGO oferece um espaço acolhedor onde os pacientes trocam, sem julgamento, sobre sua jornada, suas dúvidas e suas vitórias.
Acompanhe seu progresso com o aplicativo MounjaGO.
FAQ
É errado tomar Mounjaro para emagrecer?
Não. A obesidade é uma doença crônica reconhecida pela OMS e a tirzepatida é um tratamento médico prescrito com indicação. Tomar Mounjaro é um ato de autocuidado, não uma admissão de fraqueza. 95% das dietas falham sem acompanhamento médico.
Como responder às críticas sobre meu tratamento com GLP-1?
Mantenha-se factual: ‘A obesidade é uma doença crônica com causas hormonais e genéticas. Meu tratamento corrige uma disfunção biológica, como a insulina para o diabetes.’ Você não precisa se justificar para pessoas não-médicas.
A culpa é normal ao tomar Mounjaro?
Sim, 65% dos pacientes sentem culpa, alimentada pela estigmatização social da obesidade. Um trabalho terapêutico de reenquadramento cognitivo e a participação em grupos de apoio ajudam a superar essa emoção.